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quarta-feira, 7 de julho de 2010

Ciência e Espiritualidade: um diálogo possível

A antiga animosidade entre Ciência e espiritualidade parece estar com os dias contados. Cada vez mais, cientistas enveredam suas pesquisas buscando superar os antigos e limitados paradigmas da ciência clássica materialista. A ruptura entre Ciência e Religião, no Ocidente, ocorreu com o Renascimento, no século XVI. Durante praticamente todo o Medievo (séculos V ao XV) a Europa viveu sob o signo da religião dogmática que obstaculizava o desenvolvimento das pesquisas científicas. Tal resistência tinha o pretexto de salvaguardar os princípios “sagrados” das “verdades reveladas”, enquanto usava-se artifícios de “fé cega” que, no fundo, serviam para a manutenção do “status quo” dominante do poder temporal. O movimento renascentista representa a busca de uma superação daquele pensamento fechado, teológico-medieval, em substituição à razão, e ao primado da ciência.
A partir daí, a ciência progressivamente vai se fazendo materialista, buscando na realidade material, objetiva, as respostas para explicar, unicamente, os fenômenos físicos, biológicos, sociológicos, psicológicos, etc. A ciência rompeu com a alma e com Deus. Não havia mais espaço para uma a realidade espiritual. Buscou-se no cérebro, todas as respostas para as funções de natureza psicológica e emocional da criatura humana. Com isso, a medicina e, depois, a psicologia tornaram-se organicistas.
Entretanto, no século XIX, as investigações de Allan Kardec, através da aplicação de métodos científicos da época, naturalmente adaptados à realidade dos objetos de investigação, ou seja, as comunicações dos até então chamados “mortos”, ofereceu as provas científicas e substanciais da realidade de Deus, do espírito, da reencarnação, da prece, etc. Inúmeros outros investigadores se seguiram, entre eles, o físico, prêmio nobel William Crookes, membro da Sociedade Científica de Londres, que estudou por três anos uma jovem médium chamada Florence Cook, pela qual se materializava o espírito denominado Katie King. Ao término de seus estudos, aos quais submetia a médium a critérios de investigação rigorosos, para eliminar as hipóteses de fraudes, Crookes concluiu pela veracidade dos fatos, aceitando, assim como Kardec, a imortalidade da alma e a interveniência dos espíritos no mundo corporal. Outros tantos eminentes cientistas e sérios investigadores alinharam-se na pesquisa da espiritualidade.
O diálogo entre ciência e espiritualidade recebeu incrementos no século XX e, atualmente, desponta com inúmeras possibilidades extremamente confortadoras. Allan Kardec, vale destacarmos, foi quem apresentou-nos a valiosa proposta de uma “fé racional”, isto é, para aceitar algo não basta crer, é necessário “compreender”, analisar racionalmente o fato para aceitá-lo ou rejeitá-lo. O Espiritismo, portanto, é uma doutrina racional que, fundada sob o tríplice aspecto: ciência, filosofia e religião, propõe um constante diálogo com as demais ciências. Kardec teve a coragem de afirmar que o Espiritismo marchará lado a lado com a ciência, até o momento em que esta provar que a Doutrina Espírita está errada sobre determinado aspecto para, nesse aspecto, reformular-se..
Ao contrário do que possa parecer, a ciência – cada vez mais – vem demonstrando a espiritualidade humana. Pesquisa recente feita pelo professor de imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, Carlos Eduardo Tosta, constatou os efeitos positivos da Oração para o ser humano. A pesquisa envolveu 52 alunos de medicina e vários grupos de pessoas que fazem orações em benefício alheio. Os alunos foram divididos em dois grupos de 26 pares, cada par composto de pessoas com a mesma idade, que não se conheciam. Os alunos passaram, previamente, por exames clínicos gerais e avaliação psicológica. A partir daí, sem que os alunos soubessem, foi escolhido somente um aluno de cada par para receber a oração dos grupos religiosos.
Após três anos de pesquisa, foram realizados, novamente, exames clínicos com todos os alunos e comparados com aquela avaliação inicial. Aqueles alunos que não haviam recebido orações não haviam sofrido qualquer alteração em seus sistemas imunológicos. Entretanto, o outro grupo, o que havia recebido as preces, apresentava um sistema imunológico mais resistente. O professor Carlos Eduardo, que comandou a pesquisa, concluiu, então que: “as preces têm efeito positivo na saúde.”[1]
Outras pesquisas, entretanto, têm sido realizadas nessa área. Na Coréia, os investigadores dividiram mulheres com dificuldade de engravidar em dois grupos, que receberam o mesmo tratamento médico. Selecionou-se um grupo dessas mulheres (sem que elas soubessem das pesquisa), o qual começou a receber orações por parte de grupos religiosos. No final da pesquisa, constatou-se que o maior número de mulheres grávidas era, significativamente, o daquelas que se inseriram no grupo beneficiado pelas orações.
Na Califónia, nos Estados Unidos, foram feitas pesquisas junto a 400 pessoas que estavam internas em uma UTI. Da mesma forma, foram separadas em dois grupos, sendo que um deles, passou a receber orações de grupos religiosos. Ao final das investigações, o resultado evidenciava que aquelas que haviam recebido preces, apresentaram um quadro clínico de recuperação muito mais satisfatório.
Na realidade, estamos transitando para um tempo novo. Uma Era onde o ser humano passa a ser compreendido dentro de sua transcendência, não mais limitado à ortodoxia materialista. Na verdade, tal paradigma – materialista – passa, cada vez mais, a ser superado diante de sua inoperância em explicar de forma mais profunda o homem e o universo. Vivemos, no momento atual, segundo o físico austríaco Fritjof Capra, um “ponto de mutação” entre a decadência do modelo materialista antigo, que limitava o Ser a um composto físico-químico, em face à ascendência de um paradigma espiritualista, holistico que, sem abandonar os critérios científicos, agrega uma visão de mundo muito mais profunda e explicativa.
O espiritismo antecipa esse profundo diálogo entre ciência e espiritualidade, colaborando, em muito, para oferecer uma cosmovisão da vida, capaz de oferecer referenciais seguros de conhecimento e consolo na instalação definitiva da Era Nova, ou na metáfora de Platão, do homem velho que abandona a caverna da ignorância para o encontro inadiável com a luz da sabedoria.


Jerri Almeida
Autor dos livros:
Filosofia da Convivência e
O Desafio da Felicidade

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