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terça-feira, 5 de abril de 2011

O conhecimento segundo John Locke!



No livro II do Ensaio sobre o Entendimento Humano, Locke começa por afirmar que as fontes de todo conhecimento são a experiência sensível e a reflexão. Onde em si mesmas, a experiência sensível e a reflexão não constituiriam propriamente conhecimento; seriam, antes, processos que suprem a mente com os materiais do conhecimento.
A esses materiais o mesmo dá o nome de idéias, expressão que adquire assim o sentido de todo e qualquer conteúdo do processo cognitivo.
“Idéia” para Locke, é o objeto do entendimento quando qualquer pessoa pensa; a expressão “pensar” é assim, tomada no mais amplo sentido, englobando todas as possíveis atividades cognitivas.
Desde que a mente em todos os seus pensamentos e raciocínios não tem outros objetos imediatos exceto suas próprias idéias, e apenas isto é ou pode ser contemplado, torna-se evidente que nosso conhecimento se relaciona apenas a elas. O conhecimento consiste na percepção do acordo ou desacordo de duas idéias, nada mais é que a percepção da conexão e acordo ou desacordo é rejeição, de quaisquer de nossas idéias, isso significa que, onde se manifesta esta percepção há conhecimento, e onde ela não se manifesta, embora possamos imaginar adivinhar ou acreditar nos encontramos distantes do conhecimento.
Para melhor entender em que consiste o acordo e o desacordo podemos reduzi-los a quatro tipos:
*  Identidade ou diversidade que nada mais é que o primeiro ato da mente, quando ela tem quaisquer sentimentos ou idéias, para perceber suas idéias; e, na medida em que percebe sabe o que cada uma é e por este meio percebe também suas diferenças, e que uma não é a outra. Isto é tão absolutamente necessário que sem isso não poderia haver nenhum conhecimento, nenhum raciocínio, nenhuma imaginação e nenhum pensamento distinto;
*  Relativo é o segundo tipo de acordo ou desacordo que a mente percebe em quaisquer de suas idéias pode, penso ser denominado relativo e nada são exceto a percepção da relação entre duas idéias quaisquer, de qualquer tipo que sejam substâncias, modos, sejam outras quaisquer;
*  Coexistência é o terceiro tipo de acordo e desacordo a ser encontrado em nossas idéias, a qual a percepção da mente é concernente, constitui a coexistência ou não-coexistência no mesmo objeto, e isto pertence particularmente às substâncias;
*  Existência real, o quarto e último tipo consistem na existência atual concordando com qualquer idéia. Supondo que estes quatro tipos de acordo e desacordo contem todo o conhecimento que possuímos, ou de que somos capazes, já todas as investigações que podemos fazer a respeito de quaisquer de nossas idéias, tudo o que sabemos ou podemos afirmar a respeito de uma delas, é o mesmo com alguma outra, isto coexiste ou nem sempre coexiste com alguma outra idéia no mesmo objeto; que isto tem estado ou aquela relação com alguma outra idéia; ou que isto tem uma existência real fora da mente.
Há várias maneiras pelas quais a mente é possuída da verdade, e cada uma das quais é denominada conhecimento. O conhecimento atual é a visão presente que a mente tem do acordo ou desacordo de qualquer de suas idéias, ou relação que elas têm entre si.
Nosso conhecimento consistindo na percepção do acordo ou desacordo de duas idéias quaisquer, sua clareza ou obscuridade consiste na clareza ou obscuridade desta percepção, e não na clareza e obscuridade das próprias idéias.
Idéias que por causa de sua obscuridade ou por outro motivo, são confundidas, não podem ocasionar nenhum conhecimento claro e distinto, porque na medida em que quaisquer idéias são confusas, a mente não pode igualmente perceber claramente se concordam.
O verdadeiro método para alcançar nosso conhecimento consiste em considerar nossas idéias abstratas. Devemos, portanto, procedermos como a razão nos aconselha adaptar nossos métodos de investigar a natureza das idéias que examinamos a verdade que buscamos.
As idéias claras e distintas com nomes estabelecidos, e a descoberta dessas que mostram seu acordo ou desacordo são os caminhos para aumentar nosso conhecimento.
Segundo John Locke, “(...) nascemos todos ignorantes e recebemos tudo da experiência; mas, ao mesmo tempo, afirma a nossa parte ativa, enquanto o intelecto constrói a experiência, elaborando as idéias simples”.
Afirma ainda que todos nascemos iguais, dotados de razão; mas ao mesmo tempo, todos temos temperamentos diferentes, que devem ser desenvolvidos de conformidade com o temperamento de cada um. A formação educacional consiste, portanto, fundamentalmente, no desenvolvimento do intelecto mediante a moral, precisamente pelo fato de que se trata de formar seres conscientes, livres senhores de si mesmos. Por conseguinte, a educação, deve ser formativa, desenvolvendo o intelecto, e não informativa, erudita.


BILBIOGRAFIA

LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultura, 1988.




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